A leitura de cocho diz se o lote comeu de mais ou de menos e quanto tratar amanhã. Veja o que cada sobra significa e o erro que faz o consumo virar serrote.
Publicado em 29 de set. de 2026Quem faz a leitura todo dia costuma pensar nela como uma forma de não desperdiçar ração. É metade da história. A outra metade, que é a que mais pesa no ganho de peso, é manter o consumo estável. Animal que come muito num dia e pouco no outro não engorda como deveria, mesmo que a média da semana pareça certa.
A leitura é visual e leva poucos segundos por cocho. O que muda é o que você faz com o que viu. Na prática, cada situação cai numa destas faixas:
O ajuste que sai dessa leitura é proporcional ao peso vivo do lote, e é diferente para animal ainda em adaptação e para animal já adaptado. O que está em adaptação sobe mais devagar, porque o rúmen dele ainda está se acostumando com a dieta.
Essa é a parte que separa quem faz a leitura de quem só olha o cocho. A tentação é corrigir de uma vez: sobrou muito, corta bastante; lambeu o cocho, aumenta bastante. É aí que estraga.
Cortou demais, o lote fica com fome e lambe o cocho no dia seguinte. Você aumenta. Com fome, o animal come tudo de uma vez, passa mal e come menos no outro dia. Você corta de novo. O consumo vira um serrote, sobe e desce, e o lote nunca chega a se adaptar. No fim da conta você forneceu a quantidade média certa e mesmo assim não teve o ganho de peso que estava planejado.
Nunca vai aumentar demais e nunca vai diminuir demais.
João, curso de engorda
Antes de reduzir o trato por causa de sobra, vale conferir se a sobra é do lote ou da situação. Coisas que fazem o animal deixar comida sem ter nada a ver com a quantidade:
Em qualquer um desses casos, a sobra não significa que o lote está comendo demais. Limpa o que estragou e fornece a mesma quantidade do dia anterior. Reduzir aqui é o jeito mais comum de começar o serrote sem perceber.
Leitura feita de qualquer jeito é pior que leitura nenhuma, porque você passa a ajustar o trato com base num dado errado. Quatro coisas seguram a qualidade:
O peso do lote também muda a conta. Conforme os animais ganham peso, a quantidade sobe naturalmente, e isso não é o lote pedindo mais. Depois que o consumo estabiliza, cocho lambido todo dia deixa de ser normal e vira sinal de que alguma coisa está fora do lugar.
Quase tudo que se escreve sobre leitura de cocho trata do confinamento, onde a dieta inteira passa pelo cocho. Só que a leitura vale igual na suplementação a pasto. A diferença é que ali o volumoso é o capim e o cocho entrega o concentrado, então a sobra depende também de quanto pasto o lote tem disponível naquele piquete.
Na prática, é a mesma rotina nos dois sistemas, e quem faz controle de confinamento acompanha baia e pasto no mesmo lugar.
Quem lê o cocho é a pessoa, no campo, olhando a sobra. Não existe sensor nem balança que faça isso sozinho, e nem precisa. O que costuma faltar não é a leitura, é o registro dela: sem anotação, ninguém consegue dizer no fim do mês quanto foi realmente fornecido, em quais dias faltou trato e quanto do suplemento virou sobra.
É esse pedaço que o controle de suplementação do BOVin resolve: ele calcula quanto deveria ir em cada cocho, guarda o que o funcionário lançou e mostra os dois lado a lado, pasto por pasto e dia por dia.
O dia em que ninguém tratou aparece na grade, que é justamente o que some numa planilha. E como o trato dá baixa no estoque, o custo do suplemento entra no cálculo da arroba produzida em vez de virar uma conta à parte.
A quantidade certa depende do peso atual do lote, então ela anda junto com o peso e ganho diário de cada lote, sem ninguém refazer conta a cada pesagem.
É a conferência diária da sobra no cocho, feita antes de tratar, para decidir se a quantidade do dia sobe, mantém ou desce. Serve para evitar desperdício e, principalmente, para manter o consumo do lote estável.
Cerca de uma hora antes do primeiro trato, sempre no mesmo horário e de preferência com a mesma pessoa. Horário que varia e gente que varia mudam o resultado da leitura sem que nada tenha mudado no lote.
Só depois de descartar causa externa. Se choveu na ração, entreverou lote, apareceu bicho perto do cocho ou o trato saiu fora de hora, a sobra não é excesso de comida. Nesses casos, limpa o que estragou e mantém a mesma quantidade do dia anterior.
Serve. A rotina é a mesma, muda o contexto: no pasto o cocho entrega o concentrado e o capim entra como volumoso, então a sobra também depende da oferta de pasto no piquete.
Não. A leitura continua sendo feita por quem trata, olhando o cocho. O BOVin entra depois: calcula quanto deveria ser fornecido, registra o que foi lançado e mostra a diferença entre os dois, além dos dias em que não houve trato.