O ganho médio diário sai de uma divisão simples. O que estraga o número é o intervalo entre pesagens e a hora do dia. Veja a fórmula e o que distorce.
Publicado em 29 de set. de 2026A fórmula do ganho médio diário cabe numa linha e quase ninguém erra nela. O que sai errado é o dado que entra na fórmula. Pesagem em horário diferente, intervalo curto demais ou lote que mudou de tamanho no meio do caminho produzem um GMD que parece bom e não descreve nada.
Peso médio de hoje, menos o peso médio da pesagem anterior, dividido pelo número de dias entre as duas. O resultado é quanto cada cabeça daquele lote ganhou por dia, em média, naquele período.
É sempre média, e média esconde diferença. Dentro desse mesmo lote existe animal que ganhou mais de um quilo por dia e animal que quase não saiu do lugar. O GMD do lote serve para decidir sobre o lote, não sobre um animal.
Quatro coisas fazem o GMD mentir sem que ninguém tenha errado a divisão:
A correção é barata: pesar sempre no mesmo período do dia, com o mesmo procedimento, e manter intervalo suficiente para que a variação de enchimento não domine o resultado.
Quando o ganho vem abaixo do esperado, a primeira suspeita costuma ser o animal. Na prática, o mais comum é faltar alguma coisa na dieta, e faltar uma coisa só.
Pense num barril feito de tábuas de alturas diferentes. A água que cabe dentro é o ganho de peso, e cada tábua é um nutriente que o animal recebe. Não adianta o barril ter três tábuas altíssimas: a água vaza pela mais baixa. Se o que está limitando é energia e você reforça proteína, gastou mais e o ganho não sobe, porque o furo continua no mesmo lugar.
Por isso o caminho é entender o que o pasto já entrega e completar só o que falta, em vez de reforçar o que já sobrava.
Uma coisa é ter muito gado na mesma área, outra coisa é fazer esse gado ganhar peso.
João, curso de recria
O GMD é o que transforma tempo em arroba. Com ele você consegue responder coisas que sem ele viram palpite: quando o lote atinge o peso de venda, se compensa segurar mais trinta dias, se a mudança de suplemento pagou o que custou, qual pasto está entregando desempenho e qual não está.
E ele é a metade que falta da conta do pasto. Lotação alta com ganho baixo produz menos arroba por hectare que lotação média com o lote desempenhando bem.
Dá para ver as duas coisas juntas quando a lotação de cada pasto aparece ao lado do ganho daquele lote, na mesma tela.
A conta é simples. O trabalho é manter o histórico de cada lote inteiro, sem furo, ao longo de meses, com animais entrando, saindo e trocando de pasto no meio do período.
No controle de rebanho do BOVin, você registra a pesagem e o ganho médio diário sai calculado por lote, sem ninguém refazer conta.
E se aparecer um erro antigo, uma pesagem digitada errada meses atrás, a correção refaz o histórico daquele lote em cadeia. É a diferença entre consertar um dado e ter que reconstruir a planilha inteira a partir dele.
Peso médio atual menos peso médio da pesagem anterior, dividido pelo número de dias entre as duas pesagens. O resultado é o ganho por cabeça por dia naquele período.
O intervalo precisa ser longo o suficiente para que a variação de enchimento do rúmen não domine o resultado. Pesagens muito próximas produzem números instáveis, que sobem e descem sem que o desempenho tenha mudado.
Depende da fase, da categoria, da dieta e da época do ano. Recria nas águas e terminação em dieta reforçada têm patamares diferentes. Em vez de perseguir um número de referência de fora, o mais útil é comparar o seu GMD com a meta que você traçou para aquele lote e com o histórico dos seus próprios lotes.
Para um número confiável, sim. Estimativa visual serve para decidir se o lote vai para o curral, não para medir desempenho e fechar conta de custo.
A conta pode ser feita das duas formas, mas o uso prático é por lote, porque é assim que a pecuária acontece: o lote entra junto, come junto e sai junto. O GMD do lote esconde as diferenças individuais dentro dele, e isso é esperado.